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DEMOCRACIA IRREFLETIDA/POR CARLOS LIMA

Aproveito para fazer um breve relato sobre a história do modelo de democracia brasileira.

Com a Monarquia parcialmente autocrática e escravista perdendo seu espaço, e após a fase mas turbulenta da República da Espada de 1889-1894, a democracia adquire relativa estabilidade na velha República.

É preciso registrar que essa estabilidade oligárquica vem dos coronéis com as eleições sendo realizadas no bico da pena.

Mesmo com a revolução de l930, a Democracia não efetiva sua plataforma de liberalização e moralização política. Vargas fica 15 anos à frente do Executivo, sem eleição.

Com a derrota nazista em 1945, a democracia  não enfrenta maior resistência, até porque o antigo ditador adere a ela, decreta a anistia, convoca eleições gerais e legaliza os partidos.

O golpe militar de 1964 interrompe o processo democrático ao derrubar pela força o presidente João Goulart.

Se instala a ditadura militar de 1964 a 1985, essa é a mais longa e tenebrosa fase de privação das liberdades e direitos em um século de República. A democracia veste farda.

O preâmbulo de uma tentativa de tomada de consciência democrática surge na resistência à ditadura, que introduz uma nova ação na vida política do país, com um transbordamento de setores urbanos minoritários para as grandes massas, surgindo os movimentos de trabalhadores das cidades e do campo, estudantes, população antes adormecida, intelectuais e artistas, ação pastoral da Igreja, órgãos de imprensa e outros segmentos da sociedade.

Em seguida surge a Campanha das Diretas-84. Depois dela, a ditadura negocia apenas as condições e prazos do seu desaparecimento.

Após a derrota da Campanha das Diretas, os militares criam uma nova tática, tentam se resguardar e manter o regime dentro do Colégio Eleitoral que ele próprio criou.

Na sequência tivemos presidentes pró regime militar até a chegada do arrependido Fernando Henrique Cardoso.

O presidente operário e progressista Luís Inácio Lula da Silva venceu as eleições em 2002, surgindo então a verdadeira democratização no Brasil.

A liberdade de imprensa se tornou livre e passou a ser uma prática legal em todos os órgãos da mídia.

Após oito anos Lula faz o seu sucessor e os fascistas; a extrema direita e os militares se portavam como se estivessem com uma espinha atravessada na garganta.

Se organizaram, sabotaram o governo petista e na reeleição de Dilma Rousseff, arquitetaram um golpe e consumaram.

Na eleição seguinte colocaram um neofascista no poder e em menos de um ano não sabem o que fazer com ele.

Após essa sucinta análise, não tenho dúvida em afirmar que o nosso processo democrático está corrompido e a liberdade de imprensa entra em declínio, prevalecendo a vontade dos que se consideram poderosos em todas as esferas, Além do fortalecimento aqueles que se submetem e se curvam aos seus interesses.

Se os profissionais de comunicação defendem a ideologia e seus interesses da classe dominante atual, sejam eles quais forem, estão praticando a liberdade de imprensa.

Se são contrários, ou simplesmente divulgam a verdade que não lhes interessam são  párias, parciais, petistas, esquerdistas, comunistas, terroristas e outros adjetivos que possam  ser criados para desqualificá-los e ameaçá-los física e moralmente.

No município de Feira de Santana, estado da Bahia, esse fato se tornou uma prática dos poderes políticos constituídos.

O profissional de Comunicação, que divulga as verdadeiras ações desses poderes, são perseguidos, os empresários dos meios de comunicação são pressionados, chantageados para que os afastem do exercício profissional.

Até mesmo com comportamento estabanado, o presidente do legislativo feirense, José Carneiro Rocha, confirma o fato, ao agredir moralmente no interior da Casa da Cidadania o jornalista Sérgio Jones e o chamar para a área externa do Poder com a finalidade de agredi-lo fisicamente.

Essa é a democracia que eles alegam praticar.

Esses são os verdadeiros democratas do país, que inquestionavelmente, é pobre de políticos de bem, honestos, justos e de moral ilibada.

Na verdade, são uns vendilhões da democracia.

Carlos Lima

 

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