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Brasil: país do capitalismo selvagem e visão umbilical/por Carlos Lima

Capitalismo selvagem

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, de 2022, no Brasil, confirmou a incapacidade política de grande parte do seu povo e a construção de um alicerce fascista em pleno desenvolvimento em uma sociedade incapaz de absorver, na prática, uma conscientização política que vá além do próprio umbigo.

O fato se evidencia diante do que foi apurado pelas urnas.

Qual a verdadeira avaliação que se pode fazer do seu povo?

Primeiro, é um país cuja população mantém um resquício de submissão ao autoritarismo, sem saber destingir o que é fascismo, extrema direita, direita, centro e esquerda.

Segundo, é influenciável pelos grandes órgãos de comunicação, acreditando em tudo aquilo que se diz, desde que atenda seus interesses pessoais, ou desperte instintos.

Terceiro, com a chegada ao poder de Margareth Thatcher,  Inglaterra (Reino Unido) e Ronald Reagan, nos Estados Unidos, surge as políticas neoliberais, totalmente direcionadas para o que conhecemos como o “estado mínimo”, cegamente abraçada pela maioria dos políticos no Brasil.

O capitalismo recebeu seu maior incentivo nos seus propósitos de maior concentração de renda nas mãos dos poderosos.

No Brasil o programa de atenção as camadas mais pobres e trabalhadoras da sociedade, ficaram fora da curva diante das ações dos neoliberais.

Após o golpe de 2016 na presidente Dilma, o país entrou na onda da institucionalização da extrema direita.

Com isso parte das instituições políticas mudaram seus objetivos. O Partido dos Trabalhadores (PT) e sua maior liderança (Lula), passaram a ser seus principais inimigos.

Construíram a Lava Jato para destruí-los politicamente e moralmente. O comandante dessa capciosa ação jurídica, Juiz Sérgio Moro, adotou o lema: “os fins justificam os meios”. O resultado veio a galope, destruição econômica, financeira e moral do país. Culminando com a prisão de Lula.

Resultando a eleição, Bolsonaro, deputado federal do baixo clero, esquizofrênico, eleito presidente da República.

Arma o povo, compromete a saúde, educação e meio ambiente. Tem ações extremistas tentando destruir as instituições jurídicas do país; abre espaço para movimentos de força; prática ações que desmoraliza internacionalmente o seu governo e de reboque, como a calda de um cometa, leva o país.

O Bolsonaro se torna a maior catástrofe de um governo eleito pelo próprio povo, gerando uma marca genocida de quase 700 milhões de mortes pela pandemia da Civid-19 no Brasil.

Esse cidadão, inominável, autoriza a construção do maior meio de corrupção do mundo, aprovando o Orçamento Secreto.

A nação está à beira de um precipício e o seu povo não se dá conta.

Bolsonaro também abriu espaço para a intolerância, homofobia, racismo, além de incentivar o surgimento de grupos extremistas de direita, através de Fake News e mentiras amplamente divulgadas.

Que país as urnas, no primeiro turno, apresentaram ao mundo?

A operação jurídico-midiática denominada Lava Jato é a responsável pela ascensão do genocida ao poder, financiada pelos neoliberais que financiam e criam espaços  para o crescimento dos arrivistas de extrema-direita.

Após esse primeiro turno, resta apenas o partido liberal (PL), para tentar consolidar a institucionalização da extrema direita.

Muito embora abranja correntes não situadas na extrema direita, do ponto de vista eleitoral passa a ser, a partir de agora, o seu representante.

Podemos compará-lo com a Arena, partido na época da ditadura militar.

Será esse o país que o povo quer e revelou nas urnas do primeiro turno?

Podemos conter esse avanço, neutralizá-lo. Ainda não.

No segundo turno os horrores podem ser praticamente neutralizados com a vitória de Lula.

Eles tentarão de todas formas solapar o governo de Lula, se vencer a eleição no segundo turno, como venceu no primeiro.

Portanto, também não devemos desconhecer que força da extrema direita vai muito além do PL e do próprio Bolsonaro que não passa, apenas, de um “boi de piranha”.

Isso porque a extrema direita está além de lideranças políticas, normalmente descartáveis, que hoje estão no poder.

No Brasil de hoje a extrema direita é um conjunto de capitalistas que estão no topo da pirâmide social, articulados entre si por uma força ideológica totalmente definida que pretende se firmar no processo político eleitoral do país. Já dispõe da grande mídia como aliada.

O nosso povo saiu das urnas no primeiro turno das eleições demonstrando claramente o crescimento do neofascismo, para nossa surpresa, em todas as camadas da sociedade e, ao mesmo tempo, falta de consciência política; aumento do fanatismo religioso dos neopentecostais, ávidos por dinheiro, que caminham perigosamente para se tornarem um Talibã na América do Sul.

Portanto, podemos afirmar que Bolsonaro, guinado ao poder para ser o porta voz da extrema direita, se tornou uma pedra no sapato, um problema que deve ser descartado.

Eles perderam a terceira via, lhes falta opção, agora enfrentará o problema sem o poder definidor. A dissidência considera o rompimento, menor, do que a continuação de Bolsonaro.

Os dissidentes estratégicos estão considerando o Alckmin, vice de Lula, como um fiel da balança, enquanto se preparam para as próximas eleições.

A provável derrota nas eleições para presidente lhes proporcionará o desaceleramento do projeto nas condições atuais. Mas, não serão amplamente derrotados, o legislativo estará fortalecido, o processo será mais lento e continuará vivo.

 

Carlos Lima

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