Pedido de sigilo de documentos produzidos pelos grupos de transição teria sido feito pelo coordenador das equipes e ex-ministro Aloizio Mercadante. Membros tiveram que assinar termo de integridade se comprometendo a não vazar nenhum detalhe.
Um dos principais incômodos gerados pelo governo Bolsonaro foi a imposição de sigilo a documentos e informações oficiais, alguns deles com a duração de 100 anos.
O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, em ato no Rio de Janeiro em julho, fez da quebra de sigilo uma promessa de campanha. “Tudo é sigilo de 100 anos. Vou quebrar esses sigilos no primeiro decreto que fizer”, declarou o petista conforme noticiado.
Entretanto, o novo governo parece estar repetindo a mesma estratégia da administração vigente, visto que a equipe de Lula também decidiu impor sigilo à maior parte do material produzido pelas centenas de pessoas que participaram dos 32 grupos de transição.
De acordo com a coluna de Malu Gaspar em O Globo, membros dos grupos “fizeram inúmeras reuniões, coletaram documentos e deram entrevistas se dizendo chocados com o que haviam encontrado”, mas “os relatórios que detalham [os ofícios] não foram e nem serão divulgados”.
Ao jornal, um integrante desses grupos disse que o clima interno era de “desconfiança”.
“Inclusive sentimos certo assédio moral. Diante do sigilo descabido de questões de interesse público, a sensação é a de que trabalhávamos para Aloizio Mercadante brilhar”, afirmou o integrante citado pela mídia.
Na quinta-feira (22), foi divulgado o relatório final da equipe de transição com o diagnóstico da situação que Lula encontrará no Palácio do Planalto, mas a jornalista afirma que o que foi divulgado “foi um resumo sintético do diagnóstico […] um documento de 100 páginas em que cada tema ocupa uma ou duas páginas”.
Ainda de acordo com a mídia, o sigilo foi regra estabelecida por Mercadante, que é um dos coordenadores do programa de transição, e só os ministros poderão conhecer todo o conteúdo dos relatórios de sua área.
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