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O TEMPLO DE SALOMÃO E A MAÇONARIA

Primeiro Templo do Rei Salomão

Todos nós sabemos que o Templo de Salomão tem uma importância muito grande na simbologia maçónica.

Ele é uma das maiores fontes de símbolos, alegorias, lendas e incontestáveis ensinamentos maçónicos.

A narrativa vem de antigas tradições dos operários da Idade Média e faz parte de poéticos e filosóficos ensinamentos dos maçons especulativos em nossa realidade.

Dentro desses simbolismos, podemos absorver inúmeras mensagens, tanto na vertente anglo-saxónica (o mundo cultural de língua Inglesa) como na vertente latina (o mundo cultural francês), nos diversos ritos e graus.

É na formação dos novos Maçons, ou seja, aprendizes, que nos alicerçamos fortemente na utilização destes símbolos, alegorias, lendas e mitos.

Na tradição maçónica, uma afirmação de James Anderson na Constituição, ele afirma que “os israelitas ao deixarem o Egito, formaram um Reino de Maçons”; que “sob a chefia de seu Grão-Mestre Moisés (…) reuniam-se frequentemente em loja regular, enquanto estavam no deserto”.

Anderson apenas repetia velhas informações transmitidas por antigos documentos de maçons operários, mas sem nenhum indício de que as lojas existiam ou de que Moisés era o Grão Mestre dos maçons durante o êxodo dos judeus ao deixar o Egito.

Tudo pode não passar de uma lenda. Reunidos. Que as lideranças religiosas se reunião para encontrar solução para os diversos conflitos e insatisfações gerados durante o longo período que vagaram pelo deserto em busca da terra, dita como prometida, será   verdade, ou uma verdade construída.

Quem falou sobre essa terra foi o próprio Moisés. Só ele sabia como chegar, a confirmação de sua existência só a ele foi dado o privilégio saber.

Todos deveriam aceitar as regras de convivência do povo escolhido por Deus, segundo Moisés. Todos deveriam se submeter as regras de bom comportamento e exigências morais, além disso respeitar e não contestar qualquer regra ou ensinamentos enviados por Deus através de Moisés. Nada a ver com as nossas cartas constitutivas.

Os antigos catecismos maçónicos (séries estereotipadas de perguntas e respostas) do Século XVIII também se referiam com frequência à construção do primeiro Templo de  Salomão que, inequivocamente, integra tradições anteriores à Grande Loja de Londres (1717).

Algo que observamos é que os manuscritos, manuseados por Anderson e seus companheiros para escrever o Livro da Constituição de 1723, não são exatamente conhecidos.

Sabemos que existem velhos outros pergaminhos que sobreviveram, foram encontrados, guardados e interpretados, constituindo uma fonte das mais autênticas para a história da nossa sublime Ordem.

Nesses antigos deveres, (em muitos deles), já se falava na construção do Templo de Salomão pelos maçons. Convém contudo, no que diz respeito à história, devemos tratar estes documentos com certa reserva.

Na sua origem, foram escritos por religiosos medievais, devotados a Deus sem dúvida nenhuma, mas desprovidos de crítica e isenção histórica.

Presume-se que monges cristãos transmitiram essas lições a operários iletrados e que tais documentos foram sendo copiados, recopiados, etc., mantendo a visão de uma época que muito desconhecia da História.

O Templo de Salomão, integra as narrativas do livro mais respeitável da sociedade ocidental – a Bíblia. Ao sair do Egito, conduzido por Moisés, o povo hebreu não possuía uma religião definida, muito menos um templo.

 Somente após o episódio no monte Sinai – quando Moisés recebe de Deus as normas fundamentais da Lei bem como as instruções exatas quanto à construção da Tenda Sagrada (o Tabernáculo) – é que os hebreus passam a ter um local específico de culto, abrigando nessa Tenda os objetos sagrados: a Arca da Aliança, a Mesa dos pães ázimos (sem fermento), o Candelabro de sete braços (Minorá). Haveria também um altar para queimar as ofertas sacrificais, outro para queimar incensos (perfumes) e uma pia de bronze.

Enquanto o povo vagueava pelo deserto, Deus orientava quando, onde e por quanto tempo estacionar. Os que fugiram do Egito mudavam o seu acampamento de um lugar para outro, somente quando a nuvem que cobria o Tabernáculo (indicando a presença do Eterno) se erguia e indicava o caminho a ser seguido. Durante o dia, a nuvem; à noite, uma coluna de fogo (veja em Êxodo, 40.34-38; ou em Números, 9.15-23). E foram quarenta anos.

Antes de Jerusalém ser transformada por David na capital do reino, ainda no tempo de Samuel que era um sacerdote, juiz, profeta, mediador, chefe de guerreiros), Deus, falando a Jeremias, equipararia Samuel a Moisés – Jer. 15.1 – a Arca ficou guardada num templo, em Silo, sob os cuidados da família de Eli, também sacerdote. Em Silo, Josué (que sucedera a Moisés) acampara o povo pela última vez (Josué, 18.1 e sgs.). Esse pequeno templo de Silo foi, presumidamente, destruído pelos filisteus (Jer. 7.11-12: “Será que vocês pensam que o meu Templo é um esconderijo de ladrões? Vão a Silo, o primeiro lugar que escolhi para nele ser adorado, e vejam o que fiz ali por causa da maldade de Israel.” Assim falou o Eterno.).

David, já consagrado rei, levaria a Arca da Aliança para Jerusalém (1 Crónicas 15.25-28). Tão alegre e festivo esteve David nesse cortejo (cantando e dançando com o povo), que Mical, sua esposa, filha de Saul, sentiu desprezo por ele (1. Cron., 15.29). Contudo o tabernáculo e o altar dos sacrifícios continuariam em Gabaon, visto que David caíra em desgraça aos olhos de Deus.

Derramarou sangue em abundância, fizera guerras em demasia e, por isso mesmo não poderia edificar em nome de Deus (ver I Cron. 22.6-19). Somente Salomão teria a glória de construir o Templo – o primeiro de Jerusalém, dada a existência de mais dois templos: o construído por Zorobabel, após o exílio na Babilónia, e o construído por Herodes.

Apesar das minuciosas descrições registadas na Bíblia, ainda não foi possível, contudo, ter certezas quanto a esse primeiro templo de Jerusalém.

Não há registos extra bíblicos. As escavações arqueológicas ainda não apresentaram alguma prova válida da existência dessa obra.

Explica-se tal ausência de restos arqueológicos à completa destruição que teria sido realizada por Nabucodonosor, ou à insuficiência de escavações no próprio sítio atribuído à localização do Templo.

Esse lugar (santificado por diversas linhas religiosas) seria hoje ocupado pela belíssima e muito sagrada Mesquita de Omar, ou o Domo da Rocha, onde Abraão, obediente a Deus, quase sacrifica seu próprio filho, Isaac (Gen. 22.1-19) – onde, de modo significativo, a tradição islâmica localiza Maomé subindo ao Céu, portanto, mais do que justificada a recusa maometana em permitir escavações naquele local santificado).

Contudo, não são encontrados, também, registos arqueológicos (monumentos comemorativos) da vitória de Nabucodonosor, como, por exemplo, podem ser encontrados registos do triunfo romano de Tito, seiscentos anos depois, destruindo o templo construído por Herodes (a terceira construção na série histórica).

Alude-se ao célebre “muro das lamentações” como tendo sido parte da grande alvenaria de arrimo na esplanada do Templo.

Contudo as determinações científicas de data, ali encontradas, dão ao muro idade próxima à década anterior ao nascimento de Cristo, tornando-a uma obra mais adequada de ser atribuída ao terceiro templo, destruído pelos romanos.

Contudo Salomão foi efetivamente um grande construtor. A sua época – e, historicamente considerada, arqueologicamente comprovada – foi de grande prosperidade.

Um dos registos arqueológicos mais significativos dessa época, é o da cidade de Megido, um complexo notável, cavalariças com pilares em série, talhados em pedra calcária.

Do tempo de Salomão, há ainda restos arqueológicos da fundição – refinaria de cobre em Ezion-Geber, produtora da matéria-prima que serviria de ornamentos e utensílios de bronze (que as narrativas bíblicas apontam ao Templo).

Do mesmo modo, mesmo sem descobrimentos arqueológicos em Jerusalém, pelo resultado de outras escavações e estudo de documentos diversos (detalhes e documentação em Alex Horne, op. cit., Cap. IV, p. 37 e sgs.) é possível estabelecer conclusões quanto à arquitectura atribuída ao Templo de Salomão, no que se refere à ornamentação, disposição das dependências, técnica construtiva, comparando a tradição bíblica com restos arqueológicos de outros templos do Oriente próximo. São lições preciosas.

Qual a conclusão que podemos chegar?

Enfim, o maçom é mestre na arte de compor oposições e não desprezará o repositório inesgotável de ensinamentos velados por alegorias que nos proporciona a história (ou a lenda) da construção do Templo do Rei Salomão.

Não desprezará a tradição dos maçons operários, só porque a Arqueologia ainda não obteve provas irrefutáveis;  não se negará a tradição bíblica somente por insuficiência de escavações arqueológicas.

Jules Boucher, célebre obra “A Simbólica Maçónica” (trad. de Frederico O. Pessoa de Barros, Ed. Pensamento, S. Paulo, 9a. ed., 1993, p. 152): diz, os maçons não tentam reconstruir materialmente o Templo de Salomão; é um símbolo, nada mais – é o ideal jamais terminado, onde cada maçom é uma pedra, preparada sem machado nem martelo no silêncio da meditação.

Para elevar-se, é necessário que o obreiro suba por uma escada em caracol, símbolo inequívoco da reflexão.

Tem por materiais construtivos a pedra (estabilidade), a madeira do cedro (vitalidade) e o ouro (espiritualidade).

Para o maçom, ensina Boucher, “o Templo de Salomão não é considerado nem em sua realidade histórica, nem em sua acepção religiosa judaica, mas apenas no seu significado esotérico, tão profundo e tão belo“.

Edição Carlos Lima.

Referências:

1 – Biblia Sagrada

2 – “A Simbólica Maçônica” de Jules Boucher.

3 – Constituição de 1723

4 – Os Segredos do Templo do rei Salomão, Kevin J. Conner.

5 – O primeiro Templo do Rei Salomão.

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