A pessoa livre tem controle da própria vida, é capaz de decisões conscientes por ter domínio de fatores externos e internos. A liberdade suscita capacidade de escolher entre distintas opções e dá liberdade nas decisões sem depender de quem quer que seja, pois pensar por si é um valor inegociável.
Mas, para termos convicções nas opiniões, é preciso atentar ao que está em nossa volta e nos distanciarmos do cativeiro da manipulação. É não ser sujeito a um determinismo interior que o incapacite afirmar e amar o bem, objeto da vontade livre, sem se deixar ser usado por paixões desordenadas ou pelo temor do pecado.
Porque a liberdade é força de crescimento e de amadurecimento, tanto que, não pronunciar o nome do Presidente da República num Jantar Ritualístico, prova desconhecimento da liturgia do próprio cargo e desconhecer o princípio da impessoalidade, ou seja, o dever de tratar todos sem discriminação.
O maçom não tem o direito de dar mal exemplo ignorando a ritualística e os bons modos, porque quando iniciamos, juramos obedecer os Rituais. Portanto, que direito temos de descumprir o estabelecido?
Se a moda pega volta e meia, no momento de saudarmos o Venerável por não gostar dele, não será pronunciado seu nome?
Esclareçamos que a cerimônia é realizada com o Ritual nas mãos. No entanto, existem pessoas, por não se adaptarem ao Ritual, deveriam criar um para si.
Sabe-se que a manutenção do aperfeiçoamento da pedra cúbica, inclina o individuo à prática do bem. E, sendo livre, sempre estará a serviço da ética e da justiça nos quais, espontaneamente, desenvolve o progresso das virtudes aliado à busca do conhecimento que amplia o domínio da vontade sobre os próprios atos para que não se convertam em ignorância, temor, afetos fora de ordem e fatores psíquicos ou sociais.
O direito à liberdade é uma condição indivisível da dignidade que nos leva respeitar as legítimas ânsias da verdade, pois, quem não escolhe com plena liberdade uma norma reta de conduta, cedo ou tarde será manipulado, vivendo ao sabor de qualquer vento quando, alguém, resolverá sempre por ele. Desse modo, é imperioso um querer ininterrupto da própria liberdade.
Veneremos as pessoas por seus valores, não por crenças religiosas que são filosofias que conduzem ao mesmo caminho. Por isso, é preciso aprender a enxergar a beleza no outro pelo valor humano como nos ensina Paulo Freire.
Ora, Jesus andava com os fariseus, samaritanos, Maria Madalena, e não desprezava o dúbio Pedro. E, lembrando de Billy Graham, o evangelista, pastor batista dos Estados Unidos que pregou para mais pessoas que qualquer pregador ao redor do mundo.
Quanto ao Papa Francisco, de vida simples, defensor da justiça social, guardião dos estudos científicos, reformou a Cúria Romana e retirou conceitos de encontro aos ideais de Cristo, portanto, é um homem de valor inestimável para humanidade.
Em tempo, Irmã Dulce não procurava saber da religião de quem cuidava, só pensava em curá-lo.
O ser livre não titubeia em homenagear alguém por ter distinta crença da sua. É um sábio ao ponto de reconhecer o valor da pessoa, e o maçom, deve apegar-se ao conhecimento que está na multiplicidade, afugentando-se do fundamentalismo.
Se assim não for, conduzirá incautos ao ódio e ao distanciamento do outro. Se homenageamos alguém que tem crença ou ideal político diferente do nosso é ilícito, fazer negócios com ele é licito?
Nesta semana da lembrança da agonia que Jesus passou para anunciar amor a humanidade, num ambiente plúrimo de crenças, de maioria católica, que impõe ao dirigente, isenção e neutralidade de posição, no momento de responsabilidade de falar a tantos desiguais em crença, é justo contrariar sua principal lição?
“Amai-vos uns aos outros como vos amei” João 15:12.
Feira de Santana, 20 de abril de 2025.
Jessé da Costa Primo∴ membro da Loja Maçônica Luz e Fraternidade 14




