O PMDB tem 75 deputados federais. A grande maioria da bancada é desconhecida. Nos últimos dias, porém, ficou fácil identificar um peemedebistas nas rodinhas da Câmara.
Quando não está espinafrando Dilma Rousseff, está falando mal de Michel Temer.
A manutenção da vice-presidência da República num eventual segundo mandato de Dilma ganhou um apelido jocoso entre os correligionários de Temer: “Projeto Ema”. Atrás da piada esconde-se uma avaliação cáustica.
Na opinião da maioria dos deputados do PMDB, Dilma esvaziou tanto o gabinete da vice-presidência que terminou convertendo Temer num personagem de anedota, cuja única atribuição seria a de alimentar as emas que desfilam pelos jardins do Palácio do Jaburu, sua residência oficial.
Na prática, Temer só é acionado por Dilma quando há incêndios no PMDB. O fogaréu da semana passada demonstrou que o extintor pifou.
Após a reunião em que os deputados do PMDB declararam-se “independentes” e informaram que apenas o líder Eduardo Cunha fala em nome da bancada, um amigo do vice-presidente resumiu a cena: “O PMDB da Câmara sinalizou que Temer já não o representa.”
Dito de outro modo: antes de acudir Dilma, Temer terá de utilizar o seu talento de articulador para recompor seu prestígio político junto à sua própria tribo. O estrago não é pequeno.
Os correligionários de Temer o enxergam como um representante do governo Dilma no PMDB, não como um membro do PMDB na administração petista.
Nessa versão, a presença de Temer na chapa de Dilma tornou-se um projeto mais pessoal do que partidário.
Fonte: Josias/Redação




