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NEUROSE E SEXUALIDADE

A atriz Karine Teles, em cena de “Fala Comigo”:

“Fala Comigo” aborda as neuroses existenciais deste nosso tempo.

A sexualidade tem sido um tema recorrente nos meus filmes.

No meu primeiro curta “Tá”, eu brinco com a ideia de que às vezes é mais fácil fazer uma série de coisas sexuais mais “avançadas” (masturbação, dedo no cu, sexo oral), do que dar um simples beijo na boca.

A intimidade é o mais difícil, é o que os personagens do curta têm mais dificuldade em falar sobre.

Acho que isso tem muito a ver com as neuroses do nosso tempo.

No “Fala Comigo”, eu volto a falar de sexualidade num mote parecido com esse.

Os dois personagens do longa se conhecem, porque ele, um garoto de 17 anos, tem o hábito de ligar para mulheres desconhecidas e bater punheta ouvindo-as ao telefone.

Aqui, eu queria brincar com a ideia de que hoje em dia é cada vez mais fácil entrar em contato com outras pessoas, mas tenho a impressão de que é também cada vez mais difícil que esse contato se aprofunde.

Então, eu quis contar uma história de amor que começa dessa maneira inusitada, mas se torna de fato uma história de amor.

Eu estou escrevendo um roteiro agora, com o título de trabalho “Gloria”, que também usa a sexualidade para falar um pouco sobre o nosso tempo.

Felipe Sholl

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