O aprendizado inicial dos militares é saber, incondicionalmente, receber ordens, depois submeter-se a hierarquia, no Brasil, entretanto, dedicam-se a perseguir os ensinamentos propagandísticos gravados pelo Jogador Gerson, “levar vantagem”.
A dedicação a defesa nacional que deve ser uma atividade profissional militarmente prioritária, vem sendo trocada pelos interesses pessoais, vaidades e desejo quase incontrolável de usurpação do poder destituindo os governantes quando não conseguem transformá-los em bonifrates.
Na história do Brasil desde a proclamação da República não tenho conhecimento que um presidente da República tenha conseguido realmente assumir o Comando Supremo das Forças Armadas. Esse comando é volátil, a não ser no período da ditadura militar.
Com exceção de Floriano Peixoto e Ernesto Geisel que assumiram o poder político e militar.
Diante dessa falta de profissionalismo e verdadeiro espírito patriótico na defesa das nossas fronteiras e soberania, temos as forças militares mais debilitadas dos países em desenvolvimento, e em parte, até mesmo da América do Sul.
O país onde as forças militares desprezam soberania e defesa nacional, os políticos são mais corruptos, a maioria do povo passa fome, a pobreza é epidêmica, a nação é saqueada, o reconhecimento internacional é jocoso e o governo é alicerçado na submissão e improvisações, entre outras mazelas políticas e criminais.
Os comandantes militares, com rara exceção, não sabem viver em democracia, a hierarquia da caserna, para eles, deve prevalecer na sociedade civil, enfim, os contrários não são aceitos e se possível abatidos.
Acreditam que a imposição pode ser imposta pela força das armas, a democracia sufragada só terá validade se atender aos interesses pessoais do Alto Comando.
Em nosso país não existe uma segmentação na formação militar dos generais, mesmo frequentando os mesmos ensinamentos, mas, a realidade destrutiva dessa formação se encontra na capacidade profissional de cada um que não é levada em consideração.
As diferenças que deveriam ser consideradas implicariam na capacidade intelectual, no caráter, no conhecimento estratégico e tático da realidade bélica mundial, na política externa, na corrida armamentista e de como defender nosso território em todas as circunstâncias e quando necessário em desastres naturais e catástrofes, sob ordens do Comandante Geral o presidente da República.
Nada a ver com urnas eletrônicas, cavar poços, fazer cisternas, coordenar a distribuição de carros pipas e outras ações, definitivamente, de responsabilidade dos governantes, e não viver de prebenda.
Eles devem mostrar força para aqueles que querem ser os donos do mundo e mandar o recado, “aqui não”. “Respeite a nossa soberania”.
O governo Lula deve analisar profundamente a nossa “Defesa Nacional”, ela é vergonhosa, mal ordenada, longe de suas reais finalidades, sua fragmentação é uma realidade, a distorção e desvio dos seus princípios expõe desarticulação e campo aberto para o contrabando de nossas riquezas.
A guerra interna que as Forças Armadas deveriam estar enfrentando é a destruição da Floresta Amazônica, a extração ilegal madeira, ouro e outros minerais. Deve fortalecer a defesa de nossas fronteiras em toda sua extensão por terra, mar de ar.
Acabar com essa imagem de quintal dos EEUU. Precisamos de parcerias internacionais, não de dominadores.
Se não tivermos orgulho da nossa “Defesa Nacional” em sua consistência, competência e capacidade, jamais seremos uma nação.
A soberania nacional é incompatível com o atual desempenho das Forças Armadas. Atualmente está pervertida politicamente.
Carlos Lima




