O perfeito espírito maçônico é como a crisálida, que por amor à liberdade rompeu as paredes estreitas do seu cárcere e se lançou esperançosa para a conquista do infinito.
Ninguém busca a Maçonaria para enjaular o pensamento ou sujeitar a sua consciência a ignorância, ao fanatismo e ao preconceito. A primeira condição para ser Maçon é não ser escravo de ninguém, ser de bons costumes e não ter vocação para eunuco.
A segunda, é ter independência de caráter, inflexibilidade na espinha dorsal, e espírito de resistência a todas as tentativas de opressão ostensiva ou disfarçada.
O Maçon que se humilha, que sofre e não reclama, que assiste ao sofrimento dois seus irmãos e não corre em seu auxílio, pode ser tudo na vida, manos um perfeito Maçon.
Em abril de 1952 duas dessas divindades que se caracterizam pela arrogância, pela contradição e pela falta de respeito às convenções sociais, suspenderam os direitos maçônicos de vários de seus membros em determina da Loja que se opunham à prorrogação dos mandatos.
Para essas divindades de pensamento espúrio a autonomia da Loja não valia um tostão furado. As portas da Loja foram lacradas, e os seus obreiros jogados na rua.
Um mestre se levantou para defender os irmãos de vergonhosa afronta. Um único. Precisamente aquele que as divindades ensandecidas queriam que permanece inativo e não corresse para salvar os irmãos.
As vítimas do golpe, desorientadas e pouco esclarecidas, estavam apáticas, desanimadas mesmo com a atitude corajosa do mestre que procurava defende-los. Para eles a Justiça Maçônica era um mito e o seu defensor um visionário.
Esse visionário, mas no dia 16 de maio, próximo de um ano depois, o Superior Tribunal de Justiça Maçônica concedia uma ordem de habeas-corpus determinando arrancar o lacre das portas da Loja e restituiu todos a Ordem, inclusive os deputados a representação nacional maçônica.
Podem perguntar!
– Para que falar de coisas que não são lembradas?
Os que ainda se lembram ou têm o vício da leitura e do estudo como forma de aperfeiçoamento, teriam conhecimento, como ensinamento, as memoráveis audiências do Superior Tribunal de Justiça Maçônica e sabem como ambas as divindades contraditórias negavam a soberania do Grande Oriente e a independência de sua Justiça, sobrepondo-lhe a autoridade de uma Grande Oficina Litúrgica de Emergência.
Foi aí que o mestre defensor, espontâneo, das vítimas da opressão ditatorial, impugnou a existência legal da Grande Oficina Litúrgica de Emergência, e desafiou as divindades truculentas que provassem o contrário.
Todas as suas ações foram realizadas por amor aos irmãos, sem se importar com as consequências dos seus atos. Enfrentou o ódio e a fúria dos ventos soprados pelas divindades.
Na idade-média, a disciplina maçônica era rigorosa e terrível. Mas se ela era dura para os de baixo, mais severas era para os de cima.
Chefe que se desviasse, que traísse os seus deveres ou faltasse o respeito a seus irmãos, era a conta exata: três gotas de Acqua Toffana, para o barqueiro Charonte e depois… Mais nada.
Hoje tudo está diferente. Suprimiu-se a disciplina e se estabeleceu a harmonia pelo consenso dos que voluntariamente se ligam para a consecução de uma ideia generosa.
Todos sabem que o termo “senhores” não existe nos vocabulários maçônicos. Apenas no mundo, profano.
Mas se costuma dizer, irmãos mais velhos, a quem os novos rendem o culto da aprendizagem, nem todos, no fundo o princípio da igualdade não distingue entre velhos e novos.
São todos irmãos, e somente irmãos. E é isto o que eleva a Maçonaria acima der todas as outras sociedades humanas.
Não é o desempenho acidental de um cargo que torna o Maçon superior aos outros. É a virtude, o saber, o respeito à justiça e o talent de bien faire que o tornam credor da estima de seus irmãos.
Na verdade, não há censura prévia nem restrições à livre expressão do pensamento humano. Acima das pretensões exclusivistas estão as leis da República, e estas são de respeito obrigatório.
As instituições maçônicas regularmente constituídas são sociedades de direito público, e os seus atos não interessam apenas aos Maçons.
Mesmo perdendo-se no tempo, a Maçonaria tem sério compromisso com as viúvas e os órfãos de Maçons, conforme a necessidade de cada um, temos a obrigação de ampará-los. Jamais abandoná-los desde que também seja do interesse deles, se desejarem podem se afastar da Ordem ou rejeitar a ajuda maçônica. Assim sendo, a obrigatoriedade deixa de existir.
As ações de beneficência vêm sendo reduzida drasticamente. não que se deixou de contribuir, mas ações ficaram reduzidas a pequenas e esporádicas financeiras. Não corresponde ao projeto maçônico de amparo as escolas; acrianças desvalidas; atenção para com os idosos, além de outras atividades direcionadas às pessoas mais necessitadas.
Nesse desvio filosófico está o distanciamento da compreensão do valor moral da doutrina maçônica no mundo. Dizem que pavões emplumados estão fazendo completa abstração das verdadeiras finalidades da Maçonaria. O comportamento está individualizando-se para a conquista do poder econômico, financeiro e social.
Ser membro de um alto corpo é coisa fácil; não é preciso descrever como na maioria essa condição é conquistada; o difícil é não exceder e não burlar as regras do bom sendo, não tripudiar sobre o direito e a legalidade, nem tão pouco atropelar os critérios e a elegância moral dos princípios Maçônicos. No entanto não se deve generalizar.
Carlos Lima – Membro da Loja Estrela da Paz número n°10 – Goba
Estudo e pesquisa maçônica.
Bastidores; Históricos Maçônicos e Maçonaria no Mundo
Adelio de Figueiredo Lima – edições DE 1952, 53, 56 e 58, outros mais recentes.




