Irmãos aprendizes, os aventais que lhes foi entregue, indicam labuta. Na próxima sessão, por favor, tragam um trabalho sobre a iniciação desde a Câmara das Reflexões. Recomendo, a quem não leu, leia no livro, a República de Platão “Alegoria da Caverna”
Só para lembrar: desde que iniciei, foi acordado que o grupo amarelo e os Altos Corpos foram criados, para recados da loja, peças maçônicas e filosóficas.
Mas, de uns tempos pra cá, virou uma bagunça, uma anarquia, festa sem controle: é Deus e Jesus pra lá, é Jesus pra cá, é Deus no comando. Têm a Bíblia como livro sagrado, mas não respeitam o sétimo mandamento em Êxodo 20, que diz: Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.
Todos que aqui estão, na sindicância, lhes foi perguntado se professavam uma religião. Responderam sim. Desse modo, ninguém se filiou para ser evangelizado ou doutrinado.
Se torna opressivo tentar convencer um irmão à sua crença. Recordando que, quem quer praticar sua religião, há mais de mil igrejas em Feira de Santana à disposição. Há de se considerar também, que a Maçonaria existe para que o irmão se descubra interiormente, se encontre e se reconstrua sem auxilio de qualquer religião, afinal, nascemos sem ela, sem crença e sem medo do invisível.
Eu, por exemplo, não tenho religião, alguns irmãos têm as suas. Portanto, é desrespeito abrirmos o grupo amarelo ou dos Altos Corpos e vermos alguém querendo nos converter. Que coisa mais chata! Falta de tento.
Ora, quem prometeu a Jesus ou a Deus seguir Marcos 16:15, que compre um megafone ou alto falante e, nas praças ou pontos de ônibus, pregue seu evangelho, pois o grupo amarelo, o dos Altos Corpos e o interior da Loja, como já foi feito, não são apropriados.
Comunico-vos que estou com 78 anos e, a qualquer hora dessas, caio fora. Às vezes, nos textos e falas, citei nome do Jesus histórico e dos Deuses do Candomblé. Por isso, no meu enterro, não me venham com Ave Maria, Pai Nosso, ou orações a Orixás.
Me preparo há anos, pra morrer livre como nasci, sem dogmas, misticismos e ilusões. Viver pela razão é minha escolha e dúvidas pairam em mim indicando que há diversas verdades. Vá que exista alma; existindo, haverá aglomeração de deuses querendo ser meu guia e eu, não quero ver atrapalhação nesse momento. Quanto à dancinha do caixão, até que eu gosto.
Quem quiser me homenagear, basta ler um poema de Virgilio, Fernando Pessoa, Cervantes, Castro Alves ou Gregório de Matos. Não se preocupem se, havendo paraíso, eu for barrado, estarei bastante lúcido para criar o Movimento dos Sem céu.
Feira de Santana, 22 de maio 2025.
Jessé da Costa Primo∴




