A relação entre a oferta e a demanda no mercado global de petróleo em 2025 pode se equilibrar após um déficit em 2024, mesmo com a produção crescente no Brasil, na Guiana e nos EUA, opinou Kirill Rodionov, especialista independente em energia.
Explicou que os cortes acordados na Organização dos Países Exportadores de Petróleo e associados (OPEP+) deverão compensar o crescimento da produção de petróleo em alguns países que não participam da organização.
Os países membros da OPEP controlam cerca de 2/3 das reservas de petróleo do mundo e são responsáveis por cerca de 35% da produção mundial e metade das exportações mundiais de petróleo.
As reservas comprovadas de petróleo dos países membros da OPEP ultrapassam um milhão de barris.
O Brasil entrou oficialmente para a OPEP+ em 1º de janeiro de 2024.
“O mercado de petróleo pode ficar equilibrado em 2025. Vai ser influenciado pelo crescimento da produção da Guiana e do Brasil, que usam unidades flutuantes de armazenamento e transferência [FPSO, na sigla em inglês] para desenvolver campos offshore.
A Guiana em 2025 deverá colocar em operação a FPSO Guyana One com capacidade de 250 mil barris por dia e, no Brasil, a instalação flutuante Marechal Duque de Caxias [180 mil barris por dia], que foi colocada em operação na Bacia de Santos em outubro, atingirá sua capacidade de projeto”, disse o especialista.
Ele observou que o Departamento de Energia dos EUA, em seu relatório de dezembro, prevê uma redução do déficit no mercado de petróleo:
até o final de 2024, a demanda excede a oferta em 440 mil de barris por dia (bpd);
em 2025, deverá exceder apenas em 90 mil bpd.
De acordo com o relatório, a produção global de petróleo está prevista para 102,59 milhões de bpd em 2024 e 104,24 milhões de bpd em 2025.
A demanda é esperada em 103,03 milhões e 104,32 milhões de bpd, respectivamente.
Embora a OPEP+ tenha falado anteriormente em aumentar a produção em 2,46 milhões de barris no próximo ano, agora planeja aumentar em apenas 1,23 milhão de barris.
Rodionov destaca que a mudança da política da OPEP+ foi aprovada em 5 de dezembro, então o próximo relatório do Departamento de Energia, que vai levar em conta esse fato, será divulgado só em janeiro de 2025.
Porém, o especialista prevê que, se a administração do presidente eleito dos EUA Donald Trump cumprir a promessa de reduzir as restrições na esfera petrolífera estadunidense, os países da OPEP+ poderão optar por um aumento da oferta.
“Nesse caso, o equilíbrio do mercado mudará significativamente e todas as previsões atuais poderão ser deixadas de lado”, concluiu.
Informações do Mercadojornal de petróleo




