O presidente russo, Vladimir Putin, disse, nesta quinta-feira (20), que o local de discussão para uma saída negociada para o conflito ucraniano não é o mais importante, uma vez que a “proposta russa está na mesa”.
Nesta quinta-feira, falando a jornalistas em coletiva de imprensa durante sua visita ao Vietnã, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, falou mais uma vez sobre a disposição de Moscou para uma saída negociada do conflito ucraniano.
De acordo com o líder russo, o lugar onde as negociações vão acontecer não importa, já que as propostas da Rússia estão sobre a mesa. Entretanto, apesar da prontidão russa, a reação do Ocidente às suas iniciativas de paz era esperada. Para ele, entretanto, os políticos sensatos vão refletir sobre elas se quiserem acabar com o conflito.
Na opinião do presidente russo, o niilismo em relação às propostas de paz de Moscou não durará para sempre. No entanto, ele alertou que as propostas russas para resolver o conflito na Ucrânia mudarão dependendo da situação no terreno.
A Rússia nunca se recusou a negociar com a Ucrânia e está pronta para continuar o diálogo com o lado ucraniano com base nos acordos de Istambul e Minsk, acrescentou Putin.
Putin lembrou, por exemplo, que no início da crise, Kiev agrediu as Repúblicas Populares de Lugansk (RPL) e Donetsk (RPD) mesmo “antes de estas se tornarem parte da Federação da Rússia”, o que faz com que sua visão sobre a disposição ucraniana para o diálogo com a Rússia seja vista com ceticismo.
Kiev nem mesmo manifestou interesse em realizar eleições o que é um sinal de manutenção da situação atual. Putin garantiu ainda que se Kiev tentar vincular a realização de negociações com Moscou à retirada das tropas russas da zona de conflito, isso nunca acontecerá.
“No Ocidente, eles simplesmente não querem substituí-lo [Vladimir Zelensky], o momento não é correto. Acho que é óbvio para qualquer um. Eles vão culpá-lo por todas as decisões impopulares, incluindo a redução da idade de recrutamento [militar], e é isso. Então eles irão substituí-lo. Acho que isso acontecerá em algum momento no primeiro semestre do próximo ano”, disse o presidente russo.
Putin reiterou que, em resposta às entregas de armas à Ucrânia, a Rússia não descarta responder com ações semelhantes “para que o Ocidente pense onde irá parar a seguir” e afirmou que a Rússia está inclusive considerando fazer alterações em sua doutrina nuclear.
“Agora também estamos pensando no que e como poderia ser mudado na doutrina nuclear, na estratégia. E está conectado com isso. Está relacionado com o fato de existirem novos — em qualquer caso, sabemos que o provável inimigo está trabalhando nisso — novos elementos relacionados com a redução do limite para o uso de armas nucleares”, disse Putin aos jornalistas.
Putin acrescentou saber que estão sendo desenvolvidos dispositivos nucleares explosivos de potência ultrabaixa por especialistas no Ocidente, mas que este dado não é assustador o suficiente para motivar uma mudança na doutrina “que preveja a possibilidade de um ataque nuclear preventivo, porque o inimigo será destruído em um ataque retaliatório”, explicou ele dizendo afirmando que estes desenvolvimentos estão sendo acompanhados com atenção.
Ao comentar sobre a postura mais rude de países como os EUA e seus aliados na crise ucraniana, ou na esfera da política internacional que orienta Moscou e suas relações com os demais Estados no panorama internacional, o líder russo ressaltou que a pressão desses países só prejudica seus objetivos estratégicos.
“Quanto à pressão de Washington e de outros países ocidentais, sim, funciona em alguns [países], em outros nem tanto, mas em qualquer caso […] a grosseria com que as autoridades norte-americanas [atuam] nem sempre funcionam a seu favor.
E em termos estratégicos, só é prejudicial, porque ninguém gosta deste esnobismo e ninguém jamais os perdoará, mesmo na perspectiva histórica de médio prazo”, disse Putin aos repórteres.
Ainda segundo o líder russo, as tentativas de expulsar os soldados russos da região de Carcóvia vão levar a mais baixas entre os militares ucranianos. Segundo Putin, o Ocidente está sempre a aumentar as tensões e espera que a Rússia tenha medo “em algum momento”.
“Sabemos que principalmente os norte-americanos e os europeus estão pressionando os ucranianos para que empurrem as nossas unidades para a fronteira do estado a qualquer custo.
Repito, a qualquer custo, quero enfatizar isto, e eles planejam apresentar isto como um grande sucesso em 2024, em conexão com a cúpula da OTAN pendente e depois com as eleições nos EUA”, disse Putin aos jornalistas, acrescentando que as Forças Armadas ucranianas “pagarão um preço muito elevado” por este comando “a qualquer custo” do Ocidente.
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