Um dos mais tradicionais prêmios literários brasileiros, o Jabuti entregou, na quarta-feira (13), em São Paulo, a estatueta aos três primeiros colocados de suas 27 categorias – a lista já havia sido revelada. A surpresa da noite foi o anúncio dos vencedores do Livro do Ano de Ficção, dado a Diálogos Impossíveis (Objetiva), do cronista Luis Fernando Verissimo, e do Livro do Ano de Não Ficção, que premiou As Duas Guerras de Vlado Herzog, de Audálio Dantas, ganhador, antes, em Reportagem. Os dois levaram R$ 35 mil, além dos R$ 3.500 que os ganhadores de todas as categorias recebem.
O gaúcho Verissimo não pôde ir à cerimônia devido a compromissos em Porto Alegre. “O prêmio foi uma surpresa”, disse ele ao Estadão, por telefone. “O livro foi o segundo mais votado e só ganhou porque o primeiro foi desclassificado por um detalhe do regulamento. Não estou reclamando do prêmio, mas acho que Sérgio Sant’Anna foi injustiçado.”
Audálio Dantas, 84 anos, fez um discurso emocionado em homenagem a seu personagem e em defesa do acesso à informação. “Esse trabalho que agora vejo premiado tem um sentido muito profundo para mim. Ao mesmo tempo em que sou o autor desse livro, sou também personagem, porque vi de perto, senti o medo e o horror daqueles dias de outubro de 1975, quando assassinaram Vladimir Herzog”, disse ao receber o prêmio.
Audálio Dantas era presidente do sindicato dos jornalistas quando “a ditadura militar pôs em prática um plano de caça aos jornalistas acusados de atividades comunistas”. “Acompanhei caso a caso essa tragédia desde o começo, denunciando as prisões ilegais e as torturas praticada não só contra os jornalistas. Tive, naquele momento, os dias mais angustiantes da minha vida, mas acho que cumpri com o dever que me cabia naquele momento e acredito que essa história do Vlado está registrada na história do Brasil e nas lutas contra a opressão”, completou após a premiação.
Fonte: Redação / Estadão




