Desde que o impeachment de Dilma Rousseff mostrou que não era “derrubar a presidenta e a crise acaba” a estratégia da direita brasileira passou a ser uma só: abolir, pela via judicial-midiática a possibilidade de que Lula pudesse reencarnar as esperanças de recuperação de um quadro de prosperidade no país, a marca que carregou de seus oito anos de mandato.
Se não é possível viabilizar-se por méritos próprios, todos sabemos, apela-se para os defeitos alheios para manter-se sustentado.
De início, acreditava-se que os escândalos de corrupção envolvendo integrantes do governo Lula e de seu partido pudesse bastar.
Não funcionou, em parte porque, ao se abrirem os intestinos da política tal como ela é (e não deixou de ser), todos os partidos e quase todas as lideranças políticas no campo conservador foram atingidas, malgrado a blindagem ainda concedida a alguns.
De outra parte, as acusações que contra o próprio ex-presidente se levantaram, além de pífias (um apartamento e um sítio cuja propriedade, num neologismo jurídico, lhes é “atribuída”) nunca foram satisfatoriamente provadas, embora marteladas durante anos na TV e jornais.
Partiu-se para a segunda parte da campanha de demolição: Lula passava, sucessivamente, a ser investigado, conduzido coercitivamente, acusado, processado, condenado, etc…
Também não funcionou e o ex-presidente chegou ao final de 2017 ainda mais favorito que antes nas sondagens eleitorais.
Apressou-se, então, a fase 3, a de prendê-lo.
Já temos quatro meses, quase, e o isolamento de Lula, reduzido ao silêncio quase nada quebrado por cartas e bilhetes do fundo de uma cela em Curitiba também não teve o condão de reduzi-lo e transferir a outros as suas intenções de voto.
Estamos, portanto, em plena fase 5, a que consiste em simplesmente impedir não apenas que seja candidato como, principalmente, tenha algum significado eleitoral em outubro.
É o corolário, portanto, de uma estratégia que falhou e que, a esta altura, não tem jeito de ser modificada.
Mesmo que consigam bloquear seu registro e burlar a lei para impedi-lo sequer de ter uma ou duas aparições na TV, no horário eleitoral, é impossível tirar Lula da televisão.
E, enquanto Geraldo Alckmin terá de preencher com sua insipidez os quais de quatro minutos, o PT terá minuto e meio, além das inserções, para a pura emoção do martírio de Lula, embora eu não duvide que alguns “republicanistas” do partido teimem em apresentar “propostas e projetos de governo”.
Bobagem: o programa de governo de Lula, sabe bem o povão, é o próprio Lula e o que ele significou e significa.
Perguntem a qualquer profissional de televisão ou propaganda se ele troca 1 quilo de argumentação por 100 gramas de emoção.
A fase 6 desta estratégia fracassada é o que teremos na saída das urnas: um governo fraco, carente de legitimidade política, apenas a formal.
Sabe-se, por experiência recente, onde isso dá.




