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Qual a real capacidade de defesa do Brasil para enfrentar ataques de drones?

Drones utilizados pelas forças Armadas do Brasil, alguns ainda não saiu do solo

À Sputnik Brasil, analistas apontam que as Forças Armadas se empenham em criar o primeiro drone com poder ofensivo em um momento em que o uso desse tipo de armamento se expande no mundo.

A ampliação do uso de drones em conflitos ao redor do mundo traz a necessidade de impulsionar a capacidade de proteção contra esse tipo de ameaça.

Especialistas apontam que enquanto o Exército Brasileiro possui capacidade para neutralizar drones de baixa tecnologia, utilizando sistemas como o RBS 70 NG e o Gepard, a ausência de defesas antiaéreas de longo e médio alcance revela vulnerabilidades frente a drones mais sofisticados, como os drones kamikazes israelenses adquiridos pela Argentina.

Carlos Eduardo Valle Rosa, coronel da reserva da Força Aérea Brasileira (FAB) e professor doutor no Programa de Pós-Graduação em Ciências Aeroespaciais da Universidade da Força Aérea (UNIFA), afirma que há três tipos de drones: Classe I, II e III.

O drone de Classe I opera em altitude limitada a 1.000 pés acima do nível do solo (AGL). Segundo Rosa, é o modelo utilizado em conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, e o Brasil tem capacidade de se contrapor a essa ameaça.

“Há várias formas de se identificar ou se contrapor a essa ameaça, desde sistemas de bloqueio ou interferência eletrônica (alguns na forma de fuzis), sistemas de detecção eletromagnéticos, acústicos ou térmicos, energia dirigida (laser), sistemas de captura física (como redes), drones interceptadores ou mesmo armas comuns como uma escopeta”, explica.

Os drones de Classe II operam até 18 mil pés AGL e, quando armados, podem oferecer ameaça a concentrações de tropa ou instalações de maior porte, como uma base aérea. Segundo Rosa, contra esse modelo, o Brasil não possui capacidade de defesa.

“Não consta no inventário brasileiro capacidade que possa lidar com tal ameaça. Exceto pelo uso de metralhadoras de grande porte, armas automáticas ou algumas peças de defesa antiaérea, porém com probabilidades de sucesso limitadas, pela falta de sistemas compatíveis de detecção, rastreamento e identificação do drone.”

Já os drones de Classe III operam até 65.000 pés AGL, com alcance ilimitado. Geralmente, eles demandam enlaces de telecomunicações de micro-ondas ou satelitais para sua contínua operação.

O modelo mais popular desse drone é o MQ-9 Reaper (ou Predator B), que tem capacidade de emprego de bombas e mísseis. Porém, ele pode ser identificado por radares de tráfego aéreo, dependendo de vários fatores como, por exemplo, a seção longitudinal da fuselagem que reflete ou ecoa o sinal do radar de vigilância.

“Nesse caso particular, o Brasil possui um sistema de vigilância radar e prontidão de meios aéreos de interceptação que funciona 24 horas, denominado Sisdabra [Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro].”

Rosa enfatiza que a Força Aérea Brasileira (FAB) utiliza três modelos para reconhecimento e vigilância: o Hermes 450 e o Hermes 900, ambos fabricados pela israelense Elbit Systems, e Heron I (RQ-1150) fabricado pela Israel Aerospace Industries (IAI). Os três tipos são drones de reconhecimento e vigilância, não transportando armamento.

Ele afirma que a Marinha do Brasil recentemente passou a utilizar drones aéreos para monitoramento marítimo, patrulha de áreas costeiras e apoio a operações navais.

“Os drones da Marinha são o RQ-1 ScanEagle (recentemente, lançado a partir do deck do NAM Atlântico), o RQ-2 e o Nauru 500C. Além disso, há drones em desenvolvimento como o Atlante e o Albatroz, nesse último caso pela empresa Stella”, afirma.

O Exército, por sua vez, utiliza drones para as tarefas de inteligência, vigilância e reconhecimento (IVR), aplicando-os em monitoramento de fronteiras, apoio a tropas terrestres e reconhecimento em operações táticas.

“Os drones utilizados pelo Exército são o FT-100 Horus, FT-200 FH, Caçador, Carcará III. Recentemente, foram realizados testes como drone Nauru 1000C, fabricado pela empresa brasileira XMobots, que é um drone de médio porte, com autonomia de até 10 horas e alcance de 100 km”, afirma Rosa.

Rosa frisa que empresas brasileiras, como XMobots e a Stella, têm capacidade de produzir drones de Classe III, para tarefas além daquelas que as Forças Armadas têm utilizado, mas ainda há dependência de importação de certos componentes para a finalização dos produtos, como sensores embarcados, câmeras óticas, de infravermelho ou de visão noturna.

“Além disso, drones que voam além de linha de visada dependem de enlaces de telecomunicações satelitais que são providos por alocação de bandas de frequência específicas. Esse é um gargalo considerável, pois a operação de vários drones simultaneamente exigiria uma capacidade de banda satelital que ainda não dispomos.”

Na verdade somos amplamente vuneráveis a um ataque de drones de última geração.

Melissa Rocha

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